Procurar o Propósito é como Procurar Forma Física?

Há pessoas que procuram o seu propósito como se fosse algo que um dia simplesmente vão encontrar. Eu vejo de outra forma: a busca de propósito é mais parecida com a busca de forma física.

Viver com propósito é mais parecido com viver com forma física.

No início, tudo é confuso. Quando alguém começa a se exercitar, não sabe bem por onde começar, há muitas coisas desconhecidas. Não sabemos bem como atingir essa forma física, qual a forma correcta para nós e vamos experimentando modalidades e formas.

No início também fazemos o exercícios errados ou da forma errada, cansa muito rápido, sentimo-nos deslocados. Temos vontade de desitir, pois é muito difícil.

Com propósito acontece o mesmo: testamos caminhos, mudamos de ideias, duvidamos de nós. Parece desorganizado — mas é exatamente assim que começa qualquer transformação real.

Depois vem a fase invisível. No treino físico, durante semanas nada muda no espelho. Mas o corpo está a adaptar-se, músculos despertam, resistência aumenta, coordenação melhora. Com propósito, essa fase também existe. É quando estamos a aprender, experimentar, errar e ajustar sem ainda ver resultados externos. Por fora parece estagnação. 

Por dentro, estamos a torna-nos mais capazes e a saber melhor, o que queremos e como e porquê.

O mito da motivação. Pessoas em boa forma não treinam sempre motivadas — treinam consistentes. Propósito funciona igual: não é algo que se sente todos os dias, é algo que se constrói todos os dias. Disciplina cria direção, direção cria sentido.

Viver com propósito, pensamos que automaticamente vai nos motivar imenso, pois achamos que é algo que queremos muito então vai-nos motivar muito, mas na verdade, motivação escasseia, mesmo quando os resultados são garantidos e a meta é benéfica e vantajosa, como o caminho requer esforço, e não existe um dia que se acorda e diz "estou em forma, já está, posso ir fazer outra coisa", muitos desistem.

Outra semelhança importante: não existe “forma perfeita”, só forma adequada para cada corpo. Da mesma maneira, não existe um único propósito correto. O que é vital para uma pessoa pode ser irrelevante para outra. Comparar propósitos é tão inútil quanto comparar metabolismos.

E há um detalhe essencial que muita gente esquece: ninguém treina o tempo todo. Descanso faz parte do treino. É durante a recuperação que o corpo integra o esforço e se fortalece. Com propósito é igual — a vida não precisa de ser uma maratona constante de ações “significativas”. 

Nem tudo tem de estar ligado ao teu propósito. Pausas, lazer, silêncio e até fases de aparente desorientação são parte do processo. Procurar propósito não é como encontrar um tesouro escondido num mapa. É mais como procurar ter forma física: não é algo que se descobre num momento mágico, é algo que se cultiva aos poucos — algumas horas por semana, com consistência suficiente para que, ao longo do tempo, a mudança aconteça.

E talvez a verdade mais libertadora seja esta: forma física não é um destino final, é um estado em manutenção. Se paras completamente, perdes. Propósito também não é algo que se encontra uma vez e pronto — é algo que se renova, ajusta e redefine ao longo da vida.

No fundo, propósito não se descobre, treina-se e toda a vida.

E tal como no corpo, não é intensidade ocasional que transforma — é constância imperfeita.

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