💪🏻 Para além da Jornada do Herói: Como mudar a percepção e curar o passado sem o apagar.

 


💪🏻 Para além da Jornada do Herói

Como mudar a percepção e curar o passado sem o apagar

Durante séculos, aprendemos a contar a vida sempre da mesma forma.
Existe um herói, algo corre mal, surge sofrimento, aparecem obstáculos, há uma grande prova… e só depois vem a transformação.

👉 Esta lógica está em todo o lado:
nos mitos antigos, nos filmes, nos livros de autoajuda e até na forma como falamos connosco próprios:

“isto está difícil, mas é para eu crescer”
“sem dor não há evolução”
“tenho de passar por isto para me tornar melhor”

💚 Mas e se isso não fosse a única forma?
E se a evolução não precisasse obrigatoriamente de sofrimento?

É disso que este texto fala: outras formas de estar na vida para além da Jornada do Herói — e, sobretudo, de como fazer isso na prática.

🧚‍♂️ A Jornada do Herói: uma história útil… mas não obrigatória

A Jornada do Herói funciona como um guião padrão:

  1. Algo corre mal

  2. Sofres

  3. Lutas

  4. Superas

  5. Voltas “melhor”

👌 Este guião ajuda a dar sentido ao caos. Ajuda-nos a não enlouquecer quando a vida dói.
O problema começa quando acreditamos que não há alternativa — quando pensamos que, se não houver luta, então não há crescimento.

É como acreditar que só se aprende a nadar depois de quase se afogar.


💫 Três alternativas à Jornada do Herói

1️⃣ Sair completamente da história

Algumas tradições espirituais escolheram uma solução radical: não jogar o jogo nenhum.

É o caso de monges que deixam de tentar “ser alguém”.
Abdicam de sucesso, reconhecimento, vitória ou até felicidade. Permanecem no presente, observando a vida passar, sem se envolver na trama.

🦋 É como desligar o som e as legendas de um filme e apenas ver as imagens.

Isto pode trazer uma grande sensação de liberdade — ou, no extremo oposto, uma desistência da vida. Existem sempre polaridades.

👉 Quando não há personagem, não há drama.

Mas há um problema:

  • sem envolvimento, a vida pode perder sabor

  • sem ação, pode surgir vazio ou estagnação

👉 Liberdade total… mas sem movimento.


2️⃣ Jogar sem acreditar no jogo (o exemplo do Neo)

Aqui entra uma metáfora mais moderna: o filme Matrix.

O Neo participa no mundo, luta, corre riscos, mas sabe algo essencial:
o jogo (a “vida na matrix”) não é a realidade última.

👉 Ele joga, mas não se confunde com o personagem.

É como jogar um videojogo sabendo que, se perderes, desligas a consola.
O jogo importa… mas não te define.

🧚‍♂️ Esta posição permite viver, agir, trabalhar, amar, sem ser engolido pela narrativa do sofrimento obrigatório.
O preço? É um caminho solitário.

🧚‍♂️ Não há aplausos. Não há medalhas. Só lucidez.


3️⃣ O terceiro caminho: ser invisível no jogo

Existe ainda outra possibilidade, menos falada:

👉 Não ser herói, nem vilão, nem escolhido — mas invisível dentro do sistema.

Não é lutar contra o sistema.
Não é tentar “despertar” toda a gente.
Isso também faz parte do jogo.

É participar na vida sem entrar nas batalhas centrais:
🦋 sem precisar vencer, provar, salvar ou expor.

Como alguém que vive numa cidade grande sem se meter no trânsito do centro em hora de ponta. Está lá, mas não fica preso.

👉 Este caminho reduz desgaste, drama e sofrimento — e permite uma presença mais leve e consciente.


💫 Então… como se sai do jogo?

Aqui está o ponto mais importante:

👉 Não se sai do jogo atingindo um objetivo.
Objetivos pertencem à história.
Não se sai “evoluindo mais”.
Isso ainda é narrativa.

💫 Sai-se do jogo mudando a perceção.

Quando reconheces que:

  • o passado é uma história que a mente conta (e que pode ser transformada),

  • o futuro é uma projeção,

  • e o único lugar onde a experiência realmente acontece é AGORA,

algo muda profundamente — mesmo que nada “externo” tenha mudado.

🧚‍♀️ Ao mudar a perspetiva, ou ao adicionar algo à perspetiva, a experiência reorganiza-se.

👉 A sensação de limitação surge muitas vezes quando algo ilimitado (a consciência) se identifica com algo limitado (um papel, um corpo, uma história).

🦋 Não estamos presos.
🧚‍♂️ Estamos identificados.


👉 Experiência real vs. história sobre a experiência

É importante ser claro aqui.

Dor, trauma, perdas e sofrimento são reais.
Ninguém está a negar isso.

O que é questionável são as histórias que colocamos por cima da dor:

“isto tinha de acontecer”
“foi para eu aprender”
“o sofrimento eleva”

Essas ideias não são a experiência.
São interpretações.

Uma pergunta mais ética e concreta é:
👉 O que esta ação faz à capacidade de alguém sentir, viver e experienciar a vida?

Destruir ou reduzir essa capacidade é prejudicial — independentemente de qualquer narrativa espiritual ou moral.


💫 Consciência não é isolamento: é responsabilidade

Desapegar-se das narrativas não significa desligar-se dos outros.

Estamos interligados.
O que fazemos afeta a experiência dos outros, quer queiramos quer não.

💫 Ignorar isso em nome de uma “libertação pessoal” é apenas uma nova forma de ego — mais sofisticada, mas ainda ego.

A verdadeira saída do jogo não é indiferença.
É responsabilidade sem drama,
ação sem mitologia,
ética sem necessidade de heróis.


🌱 Parte 2

Como mudar a perceção e curar o passado sem o apagar

Depois de falar das alternativas à Jornada do Herói, surge uma pergunta inevitável:

👉 Como é que isto se faz, na prática?
👉 O que fazemos com o passado, com a dor, com os traumas que continuam a puxar-nos para dentro da história?

É aqui que entra esta proposta: ver a cura como um processo de convolução.


💫 Convolução: uma ideia simples com um efeito profundo

Na matemática e na física, convolução não significa apagar algo nem misturar tudo.
Significa fazer uma função passar sobre outra, integrando o modo como elas interagem ao longo do tempo.

🦋 Uma analogia simples:
é como passar um filtro novo sobre uma fotografia antiga.

A fotografia não muda.
O que muda é como ela aparece:
o peso que certas zonas ganham, o que se destaca e o que deixa de dominar.

👉 Aplicado à experiência humana, isto muda tudo.


O passado não é um objeto. O presente também não.

Normalmente pensamos assim:

  • o passado é algo fixo, que “nos aconteceu”

  • o presente é apenas um ponto no tempo

Mas na experiência real:

  • o passado funciona como uma resposta emocional ainda ativa

  • o presente é o estado com que interpretamos e integramos essas respostas

📌 Curar não é esquecer o passado
📌 Curar é mudar a forma como o passado é integrado no presente


💫 O que é, então, convolução emocional?

De forma simples:

👉 Convolução emocional é quando o “eu” do presente atravessa o passado com mais espaço, mais consciência e mais contexto — não para o corrigir, mas para o integrar num quadro maior.

O passado não muda.
A memória não é apagada.

🦋 O que muda é:

  • o peso emocional

  • a centralidade

  • o poder que aquele evento tem sobre o sistema inteiro


💫 Antes da convolução: quando o passado manda no presente

Antes da integração, o passado funciona como:

  • um fragmento isolado

  • carregado de emoção crua

  • sem ligação ao resto da história

👉 É como uma cassete estragada, sempre a tocar a mesma música.

O resultado:

  • raiva recorrente

  • culpa constante

  • vergonha

  • medo

  • ressentimento

  • tristeza congelada

Aqui, a perceção está presa a uma escala local: um momento, uma ferida, uma leitura única.


💫 O acto de convoluir: o presente passa sobre o passado

A mudança acontece quando algo diferente entra em jogo:

💚 O estado atual — mais maduro, mais informado, mais amplo — entra em contacto com o passado.

Não para julgar.
Não para justificar.
Mas para compreender as condições.

As decisões antigas passam a ser vistas como:

  • respostas possíveis dentro das limitações daquele momento

  • não como falhas morais ou defeitos essenciais

👉 Aqui acontece algo decisivo:
o passado deixa de ser acusação e passa a ser informação.


💫 Quando o quadro maior/ “big picture” emerge

À medida que vários eventos são integrados:

  • padrões tornam-se visíveis

  • coerência aparece

  • escolhas e reações antigas começam a fazer sentido

Não no sentido de “foi bom que tenha acontecido”,
💚 mas no sentido de “não podia ter sido diferente naquele contexto”.

📌 Isto não é desculpar
📌 É compreender as condições reais


💫 A transformação emocional (o efeito real)

Quando esta integração acontece, algo muda — sem esforço forçado.

  • Raiva → perdão estrutural

  • Culpa → responsabilidade integrada

  • Tristeza → compaixão

  • Vergonha → compreensão

  • Medo → aceitação

  • Ódio → distância lúcida

⚠️ Isto não é uma escolha voluntária.
É um efeito emergente da reorganização interna.


💫 Porque isto pode funcionar?

Emoções são energia estrutural.

Quando ficam bloqueadas:

  • criam loops

  • repetem-se

  • consomem o sistema

Quando são integradas:

  • tornam-se fluxo

  • libertam movimento

  • aumentam coerência

📌 Cura não é apagar o que doeu
📌 Cura é integrar sem deixar dominar


❤️ Para resumir

👉 A convolução emocional permite que o presente atravesse o passado, não para o corrigir, mas para o integrar num campo de sentido mais amplo.

Quando isso acontece, emoções cristalizadas transformam-se não por decisão moral, mas por reconfiguração da experiência.

🧚‍♂️ O que se procura aqui é uma convolução bem-sucedida entre quem fomos e quem somos.

🥵 Ver de outra forma já é uma forma de cura.


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