O Papel da Assimetria: Da Física à Experiência Humana


Tenho vindo a trabalhar num modelo que tenta compreender como tudo funciona no cosmos, ao nível macro, e como se interelaciona ou se pode explicar análogamente ao micro, como os sistemas mudam, e não apenas como se mantêm estáveis, desde o cosmos ao nível das relações humanas. 

Não pretendo criar teorias fantasiosas, impossíveis de testar, afastadas das leis da física, e do que é a realidade conhecida. Por isso misturo valências: psicologia, sociologia, metafísica, numerologia, arquétipos e astrologia, mas do mesmo modo matemática, física, biologia,química, microbiologia, e todas as ciências e pseudociências. 

Este modelo cruza ideias de convolução, estruturalismo fractal e dinâmica de sistemas, aplicadas tanto à experiência humana como a padrões mais gerais da realidade, que já expliquei em artigos anteriores. 

Ao longo desse processo, uma ideia começou a tornar-se cada vez mais clara para mim: a mudança não acontece por acumulação de informação, lógica e explicações, isso pode até criar «loops», mas pela introdução de algo que quebra o equilíbrio existente, e hoje vou falar sobre o papel da emoção. 

Testo aqui e reflito sobre a hipótese que a emoção não é um ruído no sistema, mas um factor estrutural relevante e importante para haver mudança. 

A hipótese é que a emoção introduz assimetria, e é a assimetria que permite o movimento, e quando digo isto, estou a tentar apontar para um princípio mais profundo do que parece à primeira vista, que nos leva até à Física Fundamental.

Quando digo que “a emoção introduz assimetria, e é a assimetria que permite o movimento”, não estou a usar uma metáfora vaga nem a romantizar a emoção. 

Estou a apontar para um princípio estrutural que aparece repetidamente na forma como a realidade funciona, desde a física fundamental, até às dinâmicas humanas mais quotidianas.

Durante muito tempo acreditou-se que a ordem perfeita e a simetria absoluta eram o estado ideal do universo. No entanto, a física moderna mostra algo curioso: um sistema completamente simétrico não faz nada. Se tudo estiver perfeitamente equilibrado, sem diferenças internas, não há razão para que algo se mova numa direcção em vez de noutra. 

-» Não há escolha, não há acontecimento, não há história. Um universo assim seria estático, suspenso, sem evolução real.

É aqui que entram ideias como a supersimetria na física. 

De forma muito simplificada, trata-se de uma tentativa de descrever um estado profundo da realidade onde tudo estaria elegantemente emparelhado e equilibrado a nível matemático. Mas mesmo dentro dessa hipótese, há um ponto essencial, se essa simetria tivesse permanecido intacta, o universo tal como o conhecemos nunca teria surgido. Para existirem partículas diferentes, forças distintas, estrelas, planetas e vida, essa simetria teve de ser quebrada. 

A realidade emerge não da perfeição, mas da sua ruptura.

Este mesmo princípio aparece noutros contextos da física. 

Na cosmologia, o universo primitivo era quase homogéneo, quase igual em todo o lado, mas não totalmente. Pequenas flutuações de energia, aparentemente insignificantes, foram amplificadas ao longo do tempo e deram origem às grandes estruturas do cosmos. 

Se tudo tivesse sido exactamente igual, o universo teria ficado para sempre como uma névoa uniforme, sem forma nem direcção (pelo menos não como o conhecemos agora, chamemos-lhe falha, erro, queda ou vida e beleza).

Na física quântica, algo semelhante acontece. Um sistema pode existir num estado de superposição, onde várias possibilidades coexistem sem que nenhuma seja escolhida. Enquanto essa simetria de possibilidades se mantém, nada acontece de facto. 

Só quando ocorre uma quebra — aquilo a que chamamos colapso ou medição — surge um acontecimento concreto. A escolha nasce da ruptura do equilíbrio.

Até na termodinâmica este padrão se repete. 

Um sistema em equilíbrio total não produz trabalho. Só quando existe uma diferença de temperatura, um gradiente, um desequilíbrio, é que a energia pode ser transformada em acção. 

A própria vida depende do facto de o universo não estar em equilíbrio absoluto.

O que me interessa aqui não é misturar física com psicologia (apesar de o estar a fazer) mas, reconhecer que o mesmo princípio estrutural parece repetir-se em escalas diferentes. 

Nos sistemas humanos, essa simetria excessiva manifesta-se como estagnação.

Conversas que entram em loop, explicações cada vez mais elaboradas que não produzem mudança, sistemas de pensamento internamente coerentes mas fechados sobre si mesmos. Tudo faz sentido, mas nada se transforma.

É neste ponto que a emoção se torna central. A emoção introduz um desequilíbrio num sistema demasiado estável. Não porque seja mais “verdadeira” do que a razão, mas porque rompe a neutralidade. 

A emoção traz urgência, valor, direcção. Força uma escolha. Obriga o sistema a sair do estado em que estava confortável. Quando tudo é excessivamente racional, controlado e simétrico, o resultado não é clareza, mas imobilidade.

No meu modelo de estruturalismo fractal e convolução, a estrutura representa os padrões estáveis, as regras, as narrativas que se repetem. A emoção é a energia que não encaixa perfeitamente nesses padrões. 

Quando essa energia entra, a estrutura tem de se dobrar sobre si mesma, de se reorganizar, de encontrar uma nova forma. É nesse dobrar, nessa convolução, que algo novo emerge. Não se trata de destruir a estrutura, mas de a transformar.

A emoção, neste sentido, não é o oposto da razão. É o que permite que a razão deixe de girar em círculos. É o mesmo tipo de princípio que, noutras escalas, faz com que um universo passe do potencial ao real, do equilíbrio à história.

É por isso que a conclusão se impõe de forma quase inevitável. 

Sem assimetria, os sistemas permanecem presos em estados estáveis onde nada acontece. 

Sem movimento, não existe sequência, não existe antes e depois, não existe história. 

E sem emoção, nos sistemas humanos, não existe a força necessária para quebrar ciclos, criar decisões reais e permitir transformações profundas.

Sem assimetria, não há movimento.
Sem movimento, não há história.
Sem emoção, não há transformação.

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